EDUCAÇÃO MILITAR

1500 a 1964, breve história sobre a educação brasileira

Diversas reformas e transições marcam o ensino no Brasil

 Flaviana Alves e João Barbosa

 

 

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Caracterizada pelos conflitos desde o período de colonização, a vinda dos padres jesuítas, com toda a sua bagagem de costumes, moral e religiosidade europeias, com a qual vão buscar “civilizar” os índios do novo mundo, marca o início de uma proposta educacional no Brasil.

 

O período jesuítico da educação brasileira durou até o ano 1759, quando o então primeiro-ministro de Portugal, Sebastião José de Carvalho, o marquês de Pombal, expulsa os padres da Companhia de Jesus das terras brasileiras.

 

Pombal tinha como propósito implantar uma educação que atendesse aos interesses do Estado, em contraponto aos interesses primordiais da fé estabelecidos pelos princípios da educação jesuíta, que tinha a experiência pedagógica europeia em sua base. Mas nada que se equiparasse a uma proposta pedagógica propriamente foi criado.

 

O sistema só mudou com a chegada da família real ao Brasil, em 1808. A partir de quando são fundadas as Academias Militares e as Escolas de Direito e Medicina. Em 1824, o artigo 179 da primeira Constituição Brasileira estabelece a “instrução primária e gratuita a todos os cidadãos”, oficializando a educação pública como política de estado, embora sem proporcionar mudanças significativas no nível do ensino.

 

Foi na década de 1930 que, pela primeira vez, o país iniciou uma melhora real na educação. O Brasil passava por grandes transformações sociais, como o grande crescimento demográfico e a intensificação da urbanização. Também foi na década de 30 que o país entrou de fato no mundo capitalista, permitindo investimentos no mercado interno e na produção industrial.

 

Nesse cenário, o governo buscava uma educação que ajudasse o homem, que até então vivia majoritariamente no campo, a se adaptar às novas configurações da sociedade. “O ensino proposto na década de 30 visava preparar o homem para trabalhar nas indústrias. Mas muito mais que isso, era uma forma de adaptar o homem do campo para viver na cidade grande”, explica o historiador e doutor em educação Aldimar Jacinto Duarte. “As escolas preparavam os alunos para a nova demanda cultural das cidades.”

 

Durante a década de 1940, até meados da década de 1960, diversas discussões sobre a democratização da educação eram vistas pelo território nacional. Paralelo a isso, era possível enxergar discussões e disputas de poder entre grandes representantes dos setores político e econômico, desestabilizando o bom desempenho econômico que o Brasil vinha mantendo. Segundo o professor Aldimar, “devido as diversas contradições entre os setores dominantes, a hegemonia dos mesmos foi diminuindo. Então, em 1964, a Ditadura Militar vem para recompor o poder desses setores e restaurar a economia do país”, esclarece.

 

Com isso, a educação, que visava o ensino das novas reformas culturais e sociais, passa a ter um caráter técnico, visando criar mão de obra para alimentar o mercado capitalista em crescimento no Brasil.