EDUCAÇÃO MILITAR

Educação: direito ou privilégio?

Diferenciação que o processo de militarização estabelece entre as escolas públicas do Estado de Goiás é questionada

 

Flaviana Alves e João Barbosa

 

 

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Há ilhas que são muito belas. São porções de terra isoladas do restante do mundo, repletas de diferenciações, e ainda assim muito belas. No entanto por mais deslumbrante que sejam, elas parecem fugir a sua natureza, pois deveriam ser pontes. A educação deveria ser uma ponte entre a sociedade e o conhecimento, nunca uma ilha.

 

“Ilhas de excelência entre um conjunto de escolas públicas e professores em penúria”. É exatamente desse modo que a Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás define a expansão dos Colégios da Polícia Militar em Goiás (CPMGs).

 

Em nota a favor da escola pública no Estado de Goiás, a Faculdade de Educação manifesta publicamente seu repúdio a toda e qualquer prática de militarização da educação pública goiana. A faculdade critica o fato do Governo de Goiás, sob o pretexto de diminuir a violência, passar para a administração da SSP/PM mais dez escolas em diferentes cidades do Estado de Goiás.

 

Uma das críticas da faculdade se refere aos custos que a família do aluno tem que contribuir para se manter em uma escola dirigida pela PM. Segundo matérias noticiadas em janeiro desse ano, cada aluno deverá pagar a matrícula, no valor de R$ 100, e uma mensalidade de R$ 50. As famílias dos alunos deverão custear também o material didático correspondente a dois livros: R$ 300 – e o uniforme (de motivos militares, incluindo os sapatos), adquiridos fora do estabelecimento escolar e que podem chegar a até R$ 600. Ou seja, para manter o filho em uma escola “pública” dessa natureza, a família terá que investir, anualmente, cerca de R$ 1.500. “A seguir nessa direção, talvez seja preciso que nos indaguemos se a escola pública continua a ser pública”, questiona.

 

A faculdade destaca também a responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação do Estado de Goiás (SEE/GO) em garantir e promover o ensino público. “Ao transferir essa responsabilidade, sob qualquer alegação, para outra pasta, a SEE/GO, além de se abster de seu papel primordial, declara publicamente sua incapacidade de cumprir com as tarefas que justificam sua criação e existência.” Lembra ainda que o papel da Secretaria de Segurança Pública não é gerir escolas, mas sim manter a segurança da população.

 

Por fim, o departamento chama a atenção para o fato da escola ser um reflexo dos problemas e conflitos da sociedade. “Abordar a violência em âmbito escolar sem o entendimento do contexto em que ela se insere é ignorar relações muito complexas.”, explica o departamento e finaliza sua nota questionando a diferenciação que o processo de militarização estabelece entre as escolas públicas do Estado de Goiás. “Questionamos veementemente a política e a concepção de educação encoberta por essas medidas.”