EDUCAÇÃO MILITAR

História da transição

Professores e alunos relatam o processo de fusão entre escola civil e militar

 

  Flaviana Alves e João Barbosa

 

 

CPMG Polivalente Modelo Vasco dos Reis oito anos após a fusão

CPMG Polivalente Modelo Vasco dos Reis oito anos após a fusão

 

 

Março de 1973. Surge o Colégio Polivalente Modelo de Goiânia. Um convênio entre o Governo do Estado de Goiás e o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a escola é o primeiro estabelecimento estadual a atender a Reforma de Ensino, cuja lei propunha uma iniciação profissional dentro da formação especial. A partir de 1980, final do convênio, o Colégio deixa de ter uma proposta diferenciada e passa a funcionar como uma escola pública convencional, assumindo a identidade de ensino médio não profissionalizante definitivamente a partir de 1991, por meio da Portaria nº 4.616.

 

Novembro de 1998. A Secretaria de Segurança Pública e Justiça e Secretaria de Estado de Educação assinam um termo de cooperação mútua. Nascem os Colégios da Polícia Militar de Goiás (CPMGs). Um ano e seis meses depois a Polícia Militar assume o Colégio Vasco dos Reis.

 

Agosto de 2006. Colégio Polivalente Modelo de Goiânia e Colégio Vasco dos Reis se fundem para atender a demanda por vagas nos CPMGs. Surge aí o Colégio da Polícia Militar Polivalente Modelo Vasco dos Reis.

 

Jheneffer Duarte, 21, aluna da unidade na época, explica que muitos alunos decidiram sair por não suportar a rigidez do Colégio Militar. “Os alunos do Polivalente tiveram um período para conhecer as normas e critérios do colégio e nós do militar tivemos que encarar uma escola com estrutura maior e mais longe de nossas casas.”

 

O professor de matemática Saleme Neto, há 13 anos na instituição, vivenciou esse período de transição e relembra que na época o choque foi muito grande tanto para alunos quanto para professores.  “Alguns educadores não queriam esse tipo de mudança, por achar que teriam que trabalhar mais, outros já tinham aquela ideia de que existiriam muitas melhoras”, argumenta.

 

A professora de sociologia Vanessa Maia, também vivenciou esse período em que foram muitos os desafios enfrentados. “Nos deparamos com alunos que não estavam preparados não só pedagogicamente, como também na questão da disciplina.” Segundo a professora um dos resultados iniciais dessa fusão foi o alto índice de reprovação. “No começo aconteceu de numa sala de 30 alunos,  27 serem reprovados”. Somente após cerca de dois anos ela acredita ter acontecido de fato a consolidação de uma unidade só. “Aí sim deixamos de ser Polivalente e Vasco dos Reis e passamos a ser uma escola só”, finaliza.